Arenavírus: Saúde orienta sobre doença rara e isolada registrada em SP

Arenavírus: Saúde orienta sobre doença rara e isolada registrada em SP

A Secretaria de Estado da Saúde divulga orientações sobre o arenavírus (febre hemorrágica brasileira), doença rara, isolada e restrita confirmada em SP, no último dia 17, e transmitida por roedores silvestres. A pasta está tomando as medidas de investigação e monitoramento do vírus e, até o momento, não há registros de transmissão entre humanos.

Podem ser hospedeiros dos vírus os roedores silvestres, ou seja, que vivam em ambiente de mata e com alta densidade de vegetação. A infecção de humanos só ocorre de forma acidental, se houver inalação de partículas com urina, fezes e saliva desses animais. Por isso, a principal medida de prevenção é evitar contato com esses animais, encontrados em áreas rurais e de mata.

Até o momento, não há registros de transmissão entre humanos, que só pode ocorrer se houver contato com secreções de alguém infectado – como sangue, urina, fezes, saliva, vômito, sêmen e outras secreções ou excreções –, em ambientes fechados, sem equipamento de proteção e por tempo prolongado.

A Secretaria de Estado da Saúde está monitorando, juntamente com o Ministério da Saúde, de forma preventiva, todas as pessoas que tiveram contato com o paciente.

“É importante destacar que não há motivo para preocupação. É uma doença rara e restrita aos ambientes silvestres. A melhor forma de prevenção é evitar o contato com roedores que vivem nestes locais”, destaca a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, Helena Sato.

Por se tratar de uma doença rara, técnicos da Vigilância Epidemiológica estão pesquisando o vírus e possíveis tipos de roedores que podem transportá-lo.

O caso foi comunicado ao Ministério da Saúde, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-americana de Saúde (OMS/OPAS), seguindo os protocolos internacionais.

Sobre o caso

O caso confirmado no dia 17 de janeiro é de um homem adulto, residente de Sorocaba. O paciente apresentou os primeiros sintomas no último dia 30 de dezembro, quando estava em Eldorado, no Vale do Ribeira.

O óbito ocorreu em 11 de janeiro no Hospital das Clínicas da FMUSP, na Capital. Antes disso, também passou por serviços de saúde em Eldorado e Pariquera-Açu. Os funcionários dessas unidades estão sob avaliação e monitoramento, bem como os familiares. A origem da contaminação está em investigação e não há histórico de viagem internacional.

O início dos sintomas da doença pode ocorrer de 6 a 14 dias, podendo variar de 5 a 21 dias, após a exposição ao vírus. Esse intervalo de tempo é chamado de “período de incubação”. Os primeiros sinais são febre, mal-estar, dores musculares, dores de cabeça, no estômago, ao redor dos olhos, tonturas, sensibilidade à luz. O arenavírus causa febre hemorrágica e pode ter complicações neurológicas e hepáticas. O tratamento é feito conforme o quadro clínico e sintomas do paciente.

A confirmação laboratorial requer técnicas específicas de isolamento do vírus, com detecção e sequenciamento do genoma. Para este caso, foram realizados diversos exames, com participação do Laboratório de Técnicas Especiais do Hospital Albert Einstein, que identificou o arenavírus, e confirmado pelo Laboratório de Investigação Médica do Instituto de Medicina Tropical do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e Instituto Adolfo Lutz. O laboratório de referência nacional para febres hemorrágicas é o Instituto Evandro Chagas.

Na literatura há registro de quatro casos humanos de febre hemorrágica brasileira, todos na década de 90. Destes, três foram registrados no Estado de São Paulo e adquiridos em ambientes silvestres, sendo o último em 1999.

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