Artigo – Sem tréguas para o Aedes

Artigo – Sem tréguas para o Aedes

Por David Uip

As ações de vigilância epidemiológica e controle de vetores seguem a lógica tripartite definida pelo (SUS) Sistema Único de Saúde. O Ministério da Saúde é o responsável pela formulação das políticas públicas, os Estados fazem a governança e os municípios atuam com suas equipes no trabalho de campo.

Em São Paulo, a atuação do governo paulista sempre foi diferenciada, com apoio de agentes da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) aos municípios com situação mais crítica em relação à dengue e envio de máquinas pesadas para ações de nebulização, além da oferta de exames sorológicos para confirmação de casos de dengue por meio da rede de laboratórios do Instituto Adolfo Lutz.

Para 2016 intensificamos essas ações. Desde o início do ano está instalada na Secretaria de Estado da Saúde uma Sala de Situação coordenada pela Coordenadoria de Controle de Doenças e Coordenadoria Estadual de Defesa Civil.

Fazem parte da Sala as vigilâncias epidemiológica e sanitária, gabinete do Secretário, Sucen, Coordenadoria de Regiões de Saúde, Cosems (Conselho dos Secretários Municipais de Saúde), Exército e Polícia Militar, entre outras instituições. As reuniões, que acontecem todas as quintas-feiras, têm como objetivo a definição de ações para o combate ao Aedes para a prevenção e controle das arboviroses transmitidas por esse vetor: dengue, zika vírus e febre chikungunya.

A primeira ação definida pela Sala foi a realização de mutirões para eliminação de criadouros do Aedes aegypti, programados para acontecer até o mês de abril, com a participação de agentes de saúde estaduais e municipais, defesa civil, exército e voluntários da sociedade civil. Até o momento 5,1 milhões de residências foram vistoriadas em todo o Estado.

Foi criado o Grupo Bipartite da Dengue, com a participação de representantes de todos os municípios, que delibera semanalmente sobre medidas para intensificar o combate ao mosquito.

Além disso, médicos de todo o Estado estão sendo capacitados para prestar correta e ágil assistência aos pacientes com sintomas sugestivos de infecção por arbovírus.

Os treinamentos para manejo clínico de casos suspeitos, voltados para médicos das redes pública e particular, são coordenados por médicos especialistas ligados a importantes universidades paulistas.

Para a realização das capacitações a Secretaria dividiu o Estado em quatro macrorregiões: Ribeirão Preto, Campinas, Bauru e capital. Os treinamentos para multiplicadores já foram realizados nas macrorregiões de Bauru e Campinas. O da capital, que também engloba as regiões da Baixada Santista, Vale do Paraíba e Vale do Ribeira, está programado para 1º de março, e o da macrorregião de Ribeirão Preto deve ocorrer ainda neste mês.

A Secretaria lançou, ainda, um site por meio do qual a população poderá denunciar focos de criadouros do Aedesi. Trata-se de um mapa interativo para que a população colabore com o poder público no combate ao mosquito, indicando pontos em que há evidências da presença do mosquito. A ferramenta está disponível no site http://www.saude.sp.gov.br/.

No último dia 22 de fevereiro, o Estado de São Paulo deu início à fase final de testes em humanos da primeira vacina brasileira contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan. No total, 17 mil voluntários entre 2 e 59 anos serão pesquisados em 14 centros pelo Brasil. O Butantan também está iniciando estudos para desenvolver uma vacina e um soro anti-zika.

Sem dúvida são avanços importantes para proteger nossa população, mas neste momento o fundamental é que todos, poder público e população, estejam constantemente mobilizados para eliminar possíveis criadouros do Aedes aegypti, evitando, assim, que as pessoas sejam infectadas, adoeçam e tenham complicações decorrentes das arboviroses.

David Uip, médico infectologista, é secretário de Estado da Saúde de São Paulo

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