Biblioteca do Instituto Butantan tem janelas e portas históricas restauradas

Biblioteca do Instituto Butantan tem janelas e portas históricas restauradas

Um projeto encabeçado pelo Núcleo de Arquitetura e Urbanismo, da Divisão de Infraestrutura, promoveu o restauro de 73 janelas, 26 gateiras (aberturas gradeadas) e seis portas da Biblioteca do Instituto Butantan. O prédio, que funciona como uma espécie de “cartão postal” do Instituto, foi inaugurado em 1914, com estilo eclético e com elementos de influência do estilo decorativo art nouveau europeu. Sendo a maioria das esquadrias originais da época de sua construção.

O Butantan foi tombado em 1981 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) e em 1991 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo. Conhecido antigamente como “Edifício Principal”, o prédio da Biblioteca aparece na lista do Condephaat de edificações históricas de grande relevância para a história da instituição.

“Toda e qualquer tipo de intervenção em bem tombado, inclusive em seu entorno, deve passar por aprovação dos Conselhos de Preservação aos quais estão vinculados por resolução de tombamento.Os procedimentos de conservação e restauro envolvem o respeito à história do bem tombado”, disse Caroline Tonacci Costa, arquiteta responsável pelo projeto e que faz parte do Núcleo de Arquitetura e Urbanismo da Divisão de Infraestrutura do Butantan.

O projeto de restauro teve início em novembro do ano passado e foi concluído no último mês de agosto. A execução da obra ficou a cargo da empresa Bolanho Arquitetura, Construção e Restauro.

“As janelas estavam em um estado delicado, algumas não fechavam direito, outras tinham problemas mais sérios, a madeira estava deteriorada, o vidro trincado. O restauro restitui-lhes a beleza ,e, sobretudo, atuou na preservação deste bem que ajuda a contar a história do Instituto, como parte de um prédio que simboliza a afirmação do Instituto Butantan como importante instituição científica”, disse Joice de Medeiros, assistente de pesquisa e organização.

Para a diretora técnica da Biblioteca, Joanita Lopes, o restauro das esquadrias representou a 2ª etapa do projeto de restauro do prédio. A 1ª promoveu a troca do telhado. “Em breve iniciaremos novas etapas do projeto de restauro, incluindo a renovação e ampliação da Biblioteca, de modo que ela possa oferecer mais serviços e ampliar o atendimento para novos públicos, além de melhor atender a nossa comunidade interna em ambientes propícios para a aprendizagem, troca e socialização”, disse a diretora.

O investimento no projeto foi de R$ 670 mil. O vice-diretor da Fundação Butantan, Rui Curi, lembra que existe um compromisso de gestão no IB voltado para a questão do patrimônio histórico. “A Diretoria está comprometida com o restauro e a conservação dos edifícios históricos do Instituto. Esse é um dos projetos em andamento. Não se mede esforço para isso”, afirmou Rui. Recentemente, o Museu Biológico também passou por um processo de restauro de esquadrias.

Levantamento prévio 

Segundo a arquiteta responsável, os projetos de restauro são iniciados sempre com um levantamento histórico sobre a edificação. O levantamento analisa sua originalidade, as alterações sofridas ao longo dos anos e os motivos, além de apontar minuciosamente as suas atuais condições de conservação.

Caroline explica que esse estudo prévio fornece orientações e os limites possíveis das intervenções, com o cuidado de não descaracterizar a edificação, o que provocaria a destruição do material histórico e consequentemente perdas irreversíveis. “Um bem tombado está relacionado à história de evolução de um local específico, mas também de toda uma sociedade e funciona como uma espécie de memória coletiva. Por isso, o projeto de restauro é um conjunto de procedimentos criteriosos e cuidadosos de manutenção da história, que pode ser contada para as gerações futuras por meio deste bem”, disse Caroline.

Para executar um projeto tão complexo e rico em detalhes, as esquadrias das fachadas foram subdivididas em grupos diferentes: janelas de madeira; janelas metálicas, basculantes e fixas; vitrais da escada; gateiras metálicas; portas de madeira e portas novas. Segundo a arquiteta, cada subdivisão teve sua atenção direcionada de acordo com o material do qual era composta.

Esquadrias de Madeira

No caso das esquadrias de madeira, por exemplo, por serem mais nobres (compostas de madeira e vidros jateados decorados, com ferragens no sistema de abertura e tranca em latão), tiveram que ser removidas de seus vãos e levadas para uma oficina em canteiro de obras.

“Os trechos de madeira danificados foram substituídos. As madeiras que estavam em bom estado permaneceram e receberam tratamento de limpeza e estucagem (preenchimento de lacunas e pequenas perdas de material). Já os vidros quebrados e com alterações também foram substituídos por outros semelhantes, seguindo os mesmos padrões decorativos. No caso das ferragens em latão, todas foram restauradas. Para algumas houve a necessidade de fabricação de novas peças, com o mesmo padrão decorativo e de funcionalidade”, afirmou a arquiteta.

 

 

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