Chance de viver 10 anos para quem tem Aids e hepatite C chega a 93% em SP

Chance de viver 10 anos para quem tem Aids e hepatite C chega a 93% em SP

Probabilidade era nula nos anos 80 e início dos 90; terapia retroviral e medicamentos específicos para hepatite estão entre os fatores que contribuíram para os índices positivos, aponta estudo da Secretaria

Estudo realizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo aponta que a chance de sobrevida de 10 anos de pacientes coinfectados com os vírus HIV, causador da Aids, e da hepatite C foi de 92,8% no período entre 2003 e 2010. A probabilidade de isso acontecer era nula entre 1986 e 1993.

O estudo foi baseado em dados obtidos por meio de sistemas de informação da vigilância epidemiológica de pacientes com Aids maiores de 13 anos. Ao todo, 2.864 pessoas, com idade média de 35 anos, foram incluídas na pesquisa. Entre elas, 358 (12.5%) eram HIV/HCV. No total geral, 219 foram a óbito (7.5%). “O objetivo do estudo foi estimar a probabilidade acumulada de sobrevida após o diagnóstico de AIDS entre pacientes coinfectados pelo vírus da hepatite C (HCV) e os que tinham apenas HIV e investigar fatores relacionados à sobrevida desses pacientes”, explica a infectologista e autora do estudo, Wong Kuen Alencar.

Wong constatou que a probabilidade acumulada de sobrevida entre os HIV/HCV coinfectados após o diagnóstico de AIDS foi gradativa: de 1986 a 1993 foi 0%, de 1994 a 1996 o número foi de 38,9%, de 1997 a 2002 o registro foi de 83,8%, e de 2003 a 2010 chegou aos 92,8%.

Segundo a infectologista, a terapia conhecida como High Activity Antiretroviral Therapy (HAART) alterou a história da infecção pelo HIV e também o curso clínico na coinfecção HIV/HCV. “Há evidências de que a supressão virológica precoce com a HAART e consequente reconstituição imune podem desacelerar o curso clínico da hepatite C em pacientes coinfectados pelo HIV/AIDS”, completa.

O tratamento da Hepatite C em coinfectados HIV/HCV com drogas específicas promoveu aumento nas taxas de resposta virológica sustentada e também maior sobrevida entre esses pacientes.

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