Combate ao câncer de próstata

Combate ao câncer de próstata

 Por Claudio Murta

      O dia 17 de novembro marca o Dia Nacional de Combate ao Câncer de Próstata. A data, criada em 1988 para conscientização sobre o problema, deve alertar os homens com foco na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer.

O tumor de próstata é o mais comum e o segundo que mais mata. Esses dados alarmantes podem ser reduzidos se começarmos a falar em prevenção e diagnóstico precoce.

Mas será que existem formas para reduzir a mortalidade por este tipo de câncer? Pergunto como médico que não acredita em curandeirismos ou fórmulas mágicas. Pergunto como alguém cético que se interessa por verdades científicas, por mais que essas verdades possam ser passageiras, mas que se baseiem em estudos com metodologia científica e atual. E o melhor é que a resposta é sim, existem meios de se diminuir e prevenir o câncer de próstata.

A primeira maneira de mudar os números é fazer o rastreamento para este tipo de tumor. O famoso check-up reduz a chance de morrer por câncer de próstata em quase 25% e as metástases, em até 40%. Portanto, ir ao médico faz bem à saúde de sua próstata e, consequentemente, à sua saúde. E quem deve ir ao urologista para realizar os exames preventivos? Todo homem com mais de 50 anos ou 45 anos se tiver histórico familiar de câncer de próstata.

Além disso, este ano, no congresso europeu de câncer foi apresentado um estudo com mais de 45 mil homens que comparou aqueles que adotavam estilos de vida saudáveis contra os que não tinham. Nesta pesquisa, foi demonstrado que o câncer de próstata pode ser reduzido em quase 40% nos pacientes que adotavam pelo menos cinco dos seis hábitos saudáveis recomendados.

Mas quais são estes hábitos? O primeiro é o tabagismo. Pacientes que nunca fumaram ou que largaram o vício há mais de 10 anos têm risco menor. O segundo diz respeito ao excesso de peso. Homens com índice de massa corpórea (peso dividido pelo quadrado da altura) menor do que 30 também estavam num grupo de baixo risco. Associado a este fator, está o terceiro que coloca homens que praticam atividade física regular num grupo de baixo risco.

Os outros três hábitos são alimentares. Homens que ingerem mais do que três porções de tomate por semana têm risco menor. Além do tomate, o homem também é beneficiado se ingerir mais de uma porção de peixe por semana. Por fim, a carne vermelha, quando consumida em menores quantidades (menos de 3 porções por semana), também reduz o risco de câncer de próstata.

Esses hábitos de vida não dependem de ninguém a não ser de nós mesmos, homens. Não dependem de política governamental, de médico, de exames e podem ajudar no restante de nossa saúde também. Somado a eles, uma ida anual ao urologista pode salvar muitos de nós desta terrível doença que é o câncer de próstata.

 

Claudio Murta, urologista, é coordenador do Centro de Referência em Saúde do Homem, da unidade da Secretaria de Estado da Saúde gerenciada em parceria com a SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina)

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