Derrote o tabagismo: Lei Antifumo é reforço de peso para a saúde pública

Derrote o tabagismo: Lei Antifumo é reforço de peso para a saúde pública

 

Muita gente sabe, mas não custa reforçar: o consumo de tabaco só traz desvantagens para a saúde. Entre os inúmeros malefícios para os fumantes, o tabaco aumenta significativamente as chances de morte por acidente vascular cerebral, doenças respiratórias e odontológicas.

“O maior número de vítimas do tabaco morre por infarto. Fumantes apresentam a doença precocemente. Se o homem tem infarto até os 40 anos, muito provavelmente a causa é o cigarro. Se for mulher, certamente é fumante”, afirma a diretora da Vigilância Sanitária Estadual, Maria Cristina Megid. “O hábito é um fator de risco para doença coronariana precoce, mas também para doenças respiratórias, que geralmente começam a pesar na saúde do fumante com 50, 60 anos. Nota-se, a partir desta idade, que o fôlego acabou”, completa.

A saúde bucal também tem relação estreita com o tabagismo. E seus efeitos não só estão relacionados à falta de bem-estar como também envolve autoestima. “Os fumantes correm risco de perder dentes. Há muitos deles que fazem enxerto com a partir dos 40 anos”, complementa a diretora.

Segundo dados do Incor, a cada ano 6 milhões de pessoas morrem em todo o mundo por doenças atribuídas ao cigarro. No Brasil, cerca de 130 mil pessoas morrem todos os anos vítimas de doenças relacionadas ao fumo, o que representa 13% do total de óbitos do país.

“O tabaco, mata mais que todas as outras drogas juntas”, garante o psiquiatra Montezuma Pimenta Ferreira, do Ambulatório de Tabagismo do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Sem contar, é claro, que muitas vezes essa dependência anda de mãos dadas com outras, como alcoolismo e o vício em outras drogas.”

Por isso que informar sobre os malefícios do cigarro nunca é demais. O melhor caminho é a prevenção, já que se livrar do hábito é uma árdua batalha. A psicóloga especialista Ivone Charran ilustra. “Aproximadamente 5% dos fumantes conseguem abandonar o cigarro sozinhos, sem tratamento ou acompanhamento médico. O restante, ou 95%, precisam de ajuda especializada. Parar de fumar não é fácil.”

LEI ANTIFUMO

A Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo faz sua parte. Uma medida efetiva no combate ao tabagismo foi anunciada em agosto de 2009, ao colocar em vigor a Lei Antifumo. A normativa, que serviu de exemplo para vários outros Estados brasileiros, proíbe o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou de qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco em locais total ou parcialmente fechados.

O valor da multa por descumprimento à lei é de R$ 1.253,50, e dobra em caso de reincidência. Na terceira vez, o estabelecimento é interditado por 48 horas, e na quarta o fechamento é por 30 dias.

Desde lá foram mais de 1,7 milhão de inspeções pela equipe, com mais de 3,8 mil multas aplicadas e 70% de redução de monóxido de carbono em ambientes fechados.

“Não só para os consumidores, mas para nós que trabalhamos nesses estabelecimentos os benefícios foram enormes”, afirma Otávio Lima Prestes, garçom há 21 anos em Botucatu, interior de São Paulo. “Não podemos ficar de fora dessa estatística, pois meu trabalho no bar é o sustento da minha família, e eu era obrigado a conviver com fumaça em ambiente fechado”, comemora.

Em apenas 17 meses de vigência da lei, o paulista evitou 581 óbitos por infarto do miocárdio e 228 por AVC, registra Maria Cristina Megid. “São números impactantes, que nos trazem a certeza de que estamos no caminho certo, cuidando da saúde e orientando a população”, completa a diretora da Vigilância Sanitária Estadual.

 

Caso note estabelecimentos infratores, denuncie pelos canais abaixo:

* Telefone

Segunda à sexta – 8h às 19h

(11) 3065 4666

* Clicando no formulário: goo.gl/Fwv8AK

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