Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo: data alerta perigo de um consumo excessivo

Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo: data alerta perigo de um consumo excessivo

Nesta segunda-feira (18), é lembrado o Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo. A data foi instituída para conscientizar a população sobre o consumo excessivo de álcool e os males que podem ocasionar. Os hospitais públicos do Estado de São Paulo recebem muitas internações por cirrose alcoólica.

O abuso do álcool, ao longo dos anos, lesiona o fígado, causando inflamação crônica e fibrose. “Quando a fibrose é muito extensa, as cicatrizes das lesões levam à cirrose. Nestes casos, a grave condição da cirrose leva o paciente a necessitar de transplante”, afirma o hepatologista Carlos Baía e coordenador de transplantes de fígado do Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo, unidade da Secretaria gerenciada em parceria com a SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento de Medicina).

O médico explica que nem todos que fazem uso de bebida alcoólica desenvolvem cirrose. A medicina ainda não conseguiu identificar porque pessoas que bebem relativamente pouco podem desenvolver a doença. “O consumo diário de bebidas alcoólicas não dá oportunidade para o fígado se restaurar, causando maior prejuízo ao organismo”, afirma Baía.

Mulheres cada vez mais vítimas

O alcoolismo é uma doença crônica que atinge mais homens do que mulheres em todo o mundo. Mas esse cenário está mudando.

“O alcoolismo entre mulheres vem aumentando e a escassez de discussões colabora com o estigma da doença. Vivemos em uma sociedade que ainda é muito machista e por isso o tema tem que ser priorizado”, avalia Murilo Campos Batisti, presidente do Coned (Conselho Estadual Sobre Drogas).

“Ser dependente é estar sempre em vigilância. Um dia de cada vez. É necessário que os espaços para falar dos problemas específicos das mulheres sejam cada vez mais ampliados”, ressalta a socióloga Marta Reis.

Lei Antiálcool

Desde que a Lei antiálcool para menores entrou em vigor, em novembro de 2011, até dezembro de 2018, o Estado de São Paulo realizou 1,4 milhões de inspeções e 2,9 mil autuações. Apenas na região do Litoral Norte, foram 24 mil inspeções e 36 autuações.

“Nestes sete anos de vigência, a Lei Antiálcool paulista atuou como uma importante ferramenta para inibir o consumo de álcool pelos jovens, uma vez que quanto mais cedo a experimentação de bebidas alcoólicas se inicia, maiores são as chances de a pessoa desenvolver dependência química no futuro”, afirma Maria Cristina Megid, diretora da Vigilância Sanitária Estadual.

A lei proíbe que bares, restaurantes, lojas de conveniência, baladas, entre outros locais, comercializem, ofereçam ou permitam a presença de menores de idade consumindo bebidas alcoólicas no interior dos estabelecimentos, mesmo que acompanhados de seus pais ou responsáveis maiores de idade. Os estabelecimentos infratores estão sujeitos a multas que podem chegar a R$ 128 mil e, no caso de reincidências, podem ser interditados por 15 a 30 dias e até mesmo perderem a inscrição no cadastro de contribuintes do ICMS.

“Depois que eu fique vendo na televisão que bares estavam sendo multados por conta da lei, comecei a me preocupar mais com a venda para menores. Hoje eu sei a importância que ela tem para população”, disse João Carvalho, mais conhecido como Tinho, dono de um bar na zona norte de São Paulo.

Os estabelecimentos infratores estão sujeitos a multas de mais de R$ 128 mil e, no caso de reincidências, podem ser interditados por 15 a 30 dias e até mesmo perderem a inscrição no cadastro de contribuintes do ICMS. Além do álcool, os fiscais também estarão de olho no cumprimento da Lei Antifumo, que proíbe desde 2009 o consumo de produtos fumígeros em ambientes fechados e de uso coletivo

“É preocupante que estudantes universitários que sequer completaram 18 anos tenham acesso facilitado a bebidas alcoólicas. Os estabelecimentos comerciais não podem ser coniventes com isso”, explica o psiquiatra Ronaldo Laranjeira.

 

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