HC: um hospital de superlativos

HC: um hospital de superlativos

Por Giovanni Guido Cerri

 

Daqui a 30 anos, quando o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP completar seu primeiro centenário, o cenário da saúde pública terá certamente se transformado, seguindo o dinamismo inerente ao SUS (Sistema Único de Saúde).

Hoje, as carências são conhecidas. Subfinanciamento, falta de resolutividade na atenção primária, hospitais e ambulatórios que não cumprem efetivamente seu papel no atendimento secundário. São fatores que levam invariavelmente os hospitais de ensino, com assistência terciária, a concentrar uma demanda excessiva.

O HC-FMUSP, que acaba de completar 70 anos de existência, é procurado por pacientes de todo o Brasil em razão de sua qualidade e excelência assistencial. Trata-se de uma população que conhece e, principalmente, confia no hospital. Muitas vezes, só nele.

Maior complexo hospitalar da América Latina, o HC desde cedo se tornou referência nacional em assistência, ensino e pesquisa. Uma trajetória que pode ser traduzida nas histórias de pacientes, médicos, residentes e colaboradores. E que, ao mesmo tempo em que nos orgulha, nos traz a enorme responsabilidade de seguirmos adiante, com ambição em relação ao futuro e zelo para com o nosso passado.

Dentro da rotina do complexo nos acostumamos com seus números superlativos. São cerca de 250 mil pacientes por mês circulando nos oito institutos do HC –entre eles o fundador Instituto Central e, mais recentemente, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira– e mais de 20 mil colaboradores se dedicando dia e noite para que o atendimento ocorra sempre da melhor maneira.

Anualmente, são feitas aproximadamente 1,7 milhão de consultas ambulatoriais, 320 mil atendimentos de emergência, 40 mil cirurgias e mais de 1 milhão de exames de diagnóstico por imagem.

Paralelamente à assistência, o hospital-escola da FMUSP é também responsável por formar muitos dos melhores quadros da medicina nacional. Nossos alunos e residentes ajudam a disseminar o conhecimento produzido no mundo acadêmico em unidades de saúde de todo o país. As pesquisas desenvolvidas no HC ajudam a levar a medicina para patamares nem sequer imaginados há poucos anos.

Os desafios, contudo, são igualmente enormes. O próprio HC não pode nem deve se acomodar como instituição. E não irá. Assim, na esteira das comemorações de suas sete décadas, lançamos o projeto HC 70+30, antecipando o futuro.

Focando o acolhimento diferenciado e a construção de novas áreas –algumas já em andamento, como o instituto de álcool e drogas e o novo hospital de Suzano–, esse projeto também prevê a reurbanização do complexo, em um plano audacioso que, quando concluído, oferecerá aos pacientes e colaboradores um novo espaço de convivência e circulação, mais bonito e acessível.

O Hospital das Clínicas buscará parceria pioneira com a iniciativa privada que, acredito, irá se tornar um exemplo para futuros empreendimentos dessa magnitude e que permitirá ampliar e aprimorar ainda mais a assistência gratuita aos usuários do SUS.

Atualmente, mais de R$ 220 milhões já estão sendo investidos em novas obras para o complexo pelo governo do Estado de São Paulo.

Quero homenagear todos aqueles que ajudaram a construir o Hospital das Clínicas da FMUSP. Desde os operários que deram início às primeiras obras, em 1938, passando por cada professor, médico, enfermeiro, cada colaborador, cada paciente e cada voluntário. E quero brindar àqueles que seguirão nessa jornada em defesa de um Hospital das Clínicas que, seja aos 70, aos 90 ou aos 100, sempre estará à frente do seu tempo.

GIOVANNI GUIDO CERRI é diretor da Faculdade de Medicina da USP e presidente do Conselho Deliberativo do Hospital das Clínicas da FMUSP. Foi secretário de Estado da Saúde de São Paulo (de 2011 a 2013, governo Geraldo Alckmin)

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