Icesp chega a mais de mil cirurgias de câncer de rim em 10 anos

Icesp chega a mais de mil cirurgias de câncer de rim em 10 anos

Nesta quinta-feira (21) é celebrado o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Rim. No Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da USP, já foram realizadas mais de mil cirurgias para tratamento do câncer renal, no período de dez anos.

Uma média de 10% dos pacientes que chegam ao Icesp para o tratamento do câncer renal se encontram em estágio metastático. O tumor atinge duas vezes mais os homens do que as mulheres, com pico de incidência entre 50 e 60 anos de idade.

O tumor, geralmente, é descoberto incidentalmente por meio de exames de imagem como tomografia e ressonância, sendo assintomáticos nesses casos. Quando há algum sintoma, como presença de sangramento na urina, dor ou aumento do volume abdominal, o câncer pode já estar em estágio avançado.

O Prof. Dr. William Nahas, chefe do serviço cirúrgico urológico do Icesp, explica que o desenvolvimento deste tipo de tumor pode estar relacionado com o tabagismo, a obesidade, além de casos hereditários e em pessoas hipertensas. Insuficiência renal avançada, quando o paciente necessita de diálise, também é outro fator de risco.

“A cirurgia é o principal tratamento para a maioria dos cânceres renais. Apesar de agressivo, o tumor renal tem alta chance de cura e boas taxas de sobrevida, principalmente quando descoberto no início. O importante é sempre procurar ajuda médica quando sinais diferentes são notados no corpo, além de não deixar de lado os cuidados com a saúde, optando por uma alimentação balanceada e, principalmente, não fumar. O cigarro está relacionado com vários tumores urológicos”, afirma Nahas.

Obesidade como causa

Um estudo inédito feito no Brasil confirma a associação da obesidade e o excesso de peso com 14 tipos de câncer, entre eles o de rim. Na visão dos pesquisadores envolvidos, alimentação saudável e vida ativa são fatores primordiais para combater a obesidade. No entanto, ressaltam a necessidade de haver intervenções e políticas públicas voltadas para a área e citam como exemplo a regulamentação da produção, da venda, do marketing e da rotulagem de alimentos ultraprocessados (macarrão e tempero instantâneos, batata frita pronta, suco de caixinha, refrigerantes, nuggets de aves e peixes, dentre outros).

“Esses alimentos contêm altas taxas de gordura, que prejudicam o organismo e aumentam os riscos de câncer”, afirma a médica Elisabete Almeida.

Em relação à atividade física, Rezende afirma que é necessário se investir em ações como construções de ciclovias, calçadas largas e parques de forma a estimular a população a se engajar em atividades físicas, substituindo, por exemplo, o transporte individual motorizado por deslocamentos a pé ou de bicicleta nos percursos de casa para o trabalho ou para a escola.

“Com a prática do esporte, a reincidência da doença é minimizada em virtude do aumento da resistência física, que influencia na melhora do sistema imunológico para trabalhar no combate ao desenvolvimento de doenças”, explica Christina May Moran de Brito, Coordenadora Médica do Serviço de Reabilitação do Icesp.

Um dica aos sedentários é investir pelo menos 30 minutos diários em exercícios físicos. Para Victor Matsudo, coordenador do Programa Agita São Paulo e diretor-científico do CELAFICS (Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul), “essa dedicação diária reduz em 50% o risco de morte por câncer de mama, por exemplo”.

O resultado desta pesquisa foi publicado na revista científica Cancer Epidemiology em março de 2018 e pode ser acessada através do link Confira também o Guia Alimentar para a População Brasileira, site com informações detalhadas e relevantes sobre alimentação saudável.

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