Instituto Butantan abre inscrições para MBA em Gestão da Saúde

Instituto Butantan abre inscrições para MBA em Gestão da Saúde

Até o dia 10 de julho, o Instituto Butantan recebe inscrições para a nova turma do MBA em Gestão da Inovação em Saúde. O curso é voltado para pesquisadores, empreendedores e investidores que buscam nichos de mercado na área da saúde.

A carga horária é de 646 horas (360 horas presenciais e 286 horas de trabalho a distância). Com duração de 18 meses, o curso possui três ciclos, que se complementam promovendo a formação do Gestor de Inovação: Inovação Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia; Pesquisa, Desenvolvimento e Produção em Saúde; e Parcerias, Negócios, Financiamento e Gestão de Projetos Inovadores. O projeto tem apoio do Centre of Excellence in New Target Discovery (CENTD), sediado no Instituto Butantan e financiado pela Fapesp e GSK.

O objetivo do curso é capacitar profissionais para atuar nas áreas de inovação, gestão estratégica, novos negócios, produtos ou serviços e para transformar pesquisas científicas em produtos inovadores na área de saúde, estimulando tratamentos de doenças com novos fármacos, diagnósticos, tratamentos cirúrgicos, terapêuticos, além de novos equipamentos.

“Visa preencher uma importante lacuna do mercado entre a criação científica e a materialização de um produto de saúde originado por ela. Precisamos de mais profissionais preparados para conduzir as etapas de desenvolvimento de novos produtos, principalmente em um ambiente extremamente regulado como este”, explica Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, coordenadora-geral e de inovação do curso e coordenadora do CENTD.

Segundo ela, o programa busca alinhar estratégias de inovação com o processo de desenvolvimento, “desde as ferramentas de pesquisa até a produção e a comercialização de produtos, viabilizando o domínio de todo o arcabouço legal necessário para transferência do conhecimento científico e tecnológico desenvolvido por Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação para empresas que têm interesse em desenvolver e explorar comercialmente a tecnologia, seja por meio de novos produtos, processos ou aplicação em materiais e/ou serviços na área da saúde”.

Diferenciais do curso são a reunião de profissionais de diferentes segmentos e a aproximação de pessoas oriundas de universidades e de empresas, o que possibilita a convergência e o compartilhamento de informações e torna o aprendizado muito mais amplo, complexo e completo.

Com formato semipresencial (blended learning), o curso é interativo e está estruturado para o desenvolvimento teórico e prático de profissionais, para que possam gerenciar todas as etapas do processo de inovação em saúde. Os encontros presenciais ocorrem mensalmente no Instituto Butantan e serão complementados por conteúdos disponibilizados na internet e atividades realizadas a distância.

Inovação e sociedade

A Fapesp está constantemente apoiando projetos que envolvam pesquisa, tecnologia e inovação, inclusive na área da saúde. Em maio passado, promoveu um ciclo de palestras relacionado ao tema em parceria com o Instituto do Legislativo Paulista (ILP).

Sérgio Mascarenhas, professor emérito da USP, foi um dos participantes e mostrou ao público todo o processo de desenvolvimento de um dispositivo que mede a pressão intracraniana, sem a necessidade de perfurar o crânio do paciente – uma inovação que teve origem a partir de um problema pessoal do pesquisador. “O que eu fiz foi simples. Tem a ver com a transdisciplinaridade, aplicar o conhecimento de uma área em outra, e é isso que precisamos para haver inovação”, ele contou.

Outra inovação de grande impacto na saúde apresentada no evento foi um teste do vírus zika. Mais rápido e mais eficiente que as 55 tentativas de teste pesquisadas pela Rede Zika, ele deve chegar ao mercado até 2019, assim que a comercialização for aprovada pela Anvisa. Com 96% de especificidade – quando 96% dos resultados positivos são de fato positivos – o teste deve ser oferecido no Sistema de Único de Saúde.

“Conseguimos desenvolver um teste de alta especificidade que detecta a presença de anticorpos que atuaram contra o vírus zika. Ele vale tanto para quem foi infectado recentemente como para quem teve a infecção há muito tempo, visto que os anticorpos permanecem no organismo durante muitos anos após a infecção, conferindo imunidade para sempre”, disse Viviane Botosso, pesquisadora do Instituto Butantan.

Os engenheiros da Magnamed já passaram por todas essas etapas – desenvolvimento de uma ideia, pesquisa, regulação e comercialização. A startup, que começou em uma garagem e recebeu apoio do PIPE-Fapesp, tornou-se uma empresa de ventiladores pulmonares que exporta seus produtos para 50 países e acaba de construir uma fábrica própria nos Estados Unidos.

A estimativa é que os equipamentos salvem 1 milhão de vidas por ano. “Tivemos um tempo grande de pesquisa e vimos que as opções do mercado podiam melhorar. Elas tinham uma usabilidade complexa, sendo que ou atendiam pacientes do pré-natal ou pacientes pediátricos e adultos”, disse Wataru Ueda, um dos sócios da empresa.

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