MPSP e FMUSP realizam Seminário Métodos Substitutivos no Ensino de Graduação

MPSP e FMUSP realizam Seminário Métodos Substitutivos no Ensino de Graduação

Na última sexta-feira (15) foi realizado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) o Seminário Interdisciplinar “Métodos Substitutivos no Ensino de Graduação”, no Anfiteatro Nina Rodrigues, no Instituto Oscar Freire da FMUSP.

A promotora de Justiça Vania Maria Tuglio, do MPSP/Grupo Especial de Combate aos Crimes Ambientais e de Parcelamento Irregular do Solo abordou o tema O Uso de Animas Vivos no Ensino, A Lei de Crimes Ambientais e a Atuação do Ministério Público na Concreção da Legislação. Vania disse que, “é uma aspiração da sociedade atual que se respeitem os direitos dos animais e que seja exercida a quebra do paradigma antropocêntrico e vire biocêntrico – tratar o animal como homem”. Ela citou instrumentos jurídicos que oferecem respaldo aos cumprimentos das Leis, já existentes.

Na sequência, a Profa. Cristina Pires Camargo, da FMUSP, falou a respeito da Experiência da Utilização de Métodos Substitutivos ao Uso de Animais Vivo no Ensino. “Estamos tentando sair da zona de conforto e entender o que a neurociência tem de melhor para o aprendizado dos alunos com simuladores”, afirmou Cristina.

O Prof. Eduardo Pompeo, Coordenador da Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA) e Veterinário Responsável Técnico do Biotério da FMUSP, discursou sobre a Diretriz Brasileira para o Cuidado e a Utilização de Animais em Atividades de Ensino ou de Pesquisa Científica. Pompeu ressaltou que, “os docentes também são exemplo de conduta para os alunos, portanto, a mudança começa entre nós mesmos”.

O Diretor Executivo da FMUSP, Dr. Felipe Neme de Souza, discorreu sobre Biotério versus Métodos Substitutivos e os Princípios da Eficiência e Economicidade. Neme disse que, “um esforço vem sendo realizado pela comunidade científica mundial para diminuir o uso de animais vivos para um número mínimo possível ou zero, reduzindo também os gastos da Instituição. Acredito que nossa versão institucional tem que estar alinhada com aquilo que a gente quer ver na sociedade”.

A Profa. Julia Maria Matera, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, falou sobre A Evolução Possível e Necessária, no Âmbito da Medicina Veterinária. Afirmou que, “é necessário o docente ter empatia e a boa vontade para ajudar o aluno a repensar seus valores”.

O Prof. Dr. Luiz Fernando Ferraz da Silva, da FMUSP, falou sobre Inovação e Empreendedorismo. Ele citou modelos para o ensino, como realidade virtual, softwares, bibliotecas digitais, aplicativos e etc. Disse que, “o objetivo é reduzir e/ou otimizar recursos biológicos, proporcionar maior liberdade para o aluno errar enquanto faz simulações e gerar segurança para o paciente”.

A Estruturação do LabHab foi o assunto abordado pelo Prof. Eduardo Motta, da FMUSP, que ressaltou a oportunidade de reforço de ensino que as simulações permitem, o que não é viável no ambiente real, por exemplo, em um pronto socorro. “Hoje existem instrumentos e tecnologias que permitem que haja uma formação em diferentes áreas de saúde com maior segurança emocional para o aluno, com melhor efetividade cognitiva e com um melhor uso dos recursos, disse Motta.

O diretor da FMUSP, Prof. Jose Otavio Costa Auler Jr., proferiu que, “muitas informações foram passadas aqui e eu acredito que agora nós iremos seguir nesse caminho já estruturado no novo currículo, que vai prescindir o uso de animais vivos. Não estamos aqui para formar mentes, mas sim lideranças.  Então, é necessário que essa instituição acompanhe os anseios da sociedade atual e que acompanhe o que é realidade em renomadas universidades internacionais”.

Como considerações finais, a promotora Vania disse: “Saio daqui crescida, ampliada no meu conhecimento. Com a certeza da desnecessidade do uso de animais vivos na formação acadêmica em faculdades de medicina veterinária e humana. Tenho uma grande esperança, não somente como promotora, mas fundamentalmente como cidadã, que daqui saia um novo modelo de ensino e aprendizado, principalmente na graduação”.

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