Número de fatalidades de trânsito em 2019 registra menor índice desde 2015 em SP

Número de fatalidades de trânsito em 2019 registra menor índice desde 2015 em SP

Em 2019, foram registradas 5.433 fatalidades em ruas e rodovias do Estado de São Paulo. O número representa queda de 0,6% na comparação com 2018 e é o menor índice desde o início da série histórica do Infosiga SP, em 2015, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (20). No mesmo período, foram registrados 143 mil acidentes com vítimas fatais e não fatais.

Os números fazem parte do balanço anual do Infosiga SP, sistema de dados do Governo de São Paulo que traz mensalmente estatísticas sobre acidentes de trânsito.

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Durante o ano, houve redução dos índices em 7 meses. Dezembro teve 503 óbitos, redução de 1,4% na comparação com o mesmo período de 2018. Já fevereiro registrou o menor número de vítimas em um único mês desde 2015 (347 fatalidades).

No Estado, 11 das 16 regiões administradas tiveram redução nos índices. A região de Registro apresentou a maior queda nas fatalidades (-23%), enquanto a região de Barretos teve o maior aumento (+26,2%).

Parceria com municípios

Uma das frentes do programa é a promoção de convênios com as Prefeituras. Segundo o Infosiga SP, as vias municipais concentram 50% das fatalidades e 80% dos acidentes com vítimas.

Além das ações de fiscalização promovidos pela Polícia Militar, o Estado destinou R$ 200 milhões para projetos de segurança viária elaborados pelos municípios. O recurso é proveniente de multas aplicadas pelo Detran.SP. Atualmente, 304 cidades participam do programa e mais de 8,7 mil intervenções estão em andamento, incluindo obras de engenharia e sinalização e ações educativas para todas as idades.

“A mobilização no Estado tem resultado em reduções constantes nos índices, mas o fato é que há ainda um longo caminho a percorrer”, destaca o Vice-Governador e Secretário de Governo, Rodrigo Garcia. “Os número permanecem alarmantes e é preciso manter esforços e investimentos para combater a violência no trânsito. O programa Respeito à Vida tem essa finalidade e viabiliza projetos efetivos para salvar vidas em vias urbanas e rodovias”, complementa.

Região Administrativa 2018 2019 Variação (em %)
Metropolitana de SP 1.782 1.752 -1,7
Araçatuba 138 114 -17,4
Baixada Santista 274 268 -2,2
Barretos 65 82 26,2
Bauru 166 171 3,0
Campinas 963 927 -3,7
Central 163 182 11,7
Franca 127 111 -12,6
Itapeva 97 96 -1,0
Marília 160 152 -5,0
Presidente Prudente 138 128 -7,2
Registro 100 77 -23,0
Ribeirão Preto 186 184 -1,1
São José dos Campos 358 390 8,9
São José do Rio Preto 288 342 18,8
Sorocaba 463 457 -1,3

Prevenção

O fator humano é o principal causador de acidentes fatais no Estado de São Paulo. Segundo Ricardo Vanzetto, gerente médico do Grau (Grupo de Resgate e Atendimento às Urgências), o consumo de bebidas alcoólicas e o uso de estimulantes estão entre os principais responsáveis pelos acidentes que vitimam jovens do sexo masculino. “Dormir pouco, fumar demais e comer mal são combinações perigosas que colocam em risco à vida de jovens motoristas”, explica.

A embriaguez e a falta de educação no trânsito é motivo também para um grande número de acidentes envolvendo ciclistas. “O número de acidentes graves envolvendo ciclistas continua alto porque as bicicletas precisam dividir cada vez mais espaço com os veículos. É preciso haver respeito mutuo e mais locais sinalizados e adequados aos ciclistas”, afirma Hassan Yassine Neto, médico socorrista do Grau.

Mais comum que acidentes envolvendo ciclistas são fatalidades relacionadas a motociclistas. Segundo pesquisa feita pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o principal motivo é a imprudência de quem dirige a moto e/ou de quem dirige o automóvel. “A culpa divide-se igualmente entre motociclistas e motoristas”, diz Júlia Greve, médica do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC. “Há um despreparo dos condutores para direção veicular em ambiente congestionado das grandes cidades”.

Lei Seca

A Lei Seca é conhecida pela “Tolerância Zero”. Isso significa que não existe qualquer quantidade de bebida alcoólica aceitável pela legislação, nem mesmo uma ou duas latinhas de cerveja. O álcool reduz os reflexos e a capacidade de reação do condutor e dirigir exige máxima atenção. E não adianta tentar “burlar” o bafômetro na hora de fazer o teste ao ser abordado em uma blitz.

“Vale lembrar que a simples recusa a se submeter ao teste já gera a multa de quase R$ 3 mil. Mas o maior prejuízo, com certeza, é provocar um acidente e ferir alguém ou se machucar, algo que poderia ser evitado chamando um carro por aplicativo, por exemplo”, ressalta Maxwell Vieira, diretor-presidente do Detran.SP.

A multa aplicada a quem é flagrado dirigindo alcoolizado é de R$ 2.934,70 e, se apresentar índice a partir de 0,34 miligramas de álcool por litro de ar expelido no teste, automaticamente comete crime de trânsito, mesmo que não tenha se envolvido em acidente. Além disso, o condutor multado por alcoolemia neste fim de ano tem a CNH suspensa pelo período de 12 meses.

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