Programa estadual DST/Aids celebra 35 anos com recordes históricos

Programa estadual DST/Aids celebra 35 anos com recordes históricos

O Programa Estadual DST/Aids de São Paulo, pioneiro nas ações de combate à doença no Brasil, celebra 35 anos com recordes históricos, que abrangem a ampliação do acesso a métodos preventivos e diagnósticos e queda da mortalidade por Aids nas últimas décadas.

Como reflexo das políticas públicas desenvolvidas em São Paulo nos eixos de prevenção, diagnóstico e tratamento, a mortalidade por Aids caiu cerca de 75% em pouco mais de duas décadas, especialmente devido ao acesso ao tratamento antirretroviral. A maior taxa da história ocorreu em 1995, quando ocorreram 7.739 óbitos, uma taxa de 22,9 mortes por 100 mil habitantes. Em 2016, a taxa foi de 5,8 óbitos a cada 100 mil habitantes, com um total de 2.508 óbitos em números absolutos.

Desde 1994, mais de 1,2 bilhão de preservativos masculinos e femininos foram distribuídos no território paulista, em estímulo à prevenção às ISTs (Infecções Sexualmente Transmitidas).

A partir de 2018, com a implantação da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) no SUS, SP passou a distribuir o medicamento e concentra o maior número de serviços com usuários cadastrados e recebendo o medicamento, respondendo por 46% do total de pessoas cadastradas no país. Desde o início do ano, o Estado triplicou o número de serviços (49) que o disponibilizam.

Entre 1980 a 30 de junho de 2017 foram registrados 260.396 casos de Aids. A taxa de incidência da doença foi reduzida em 26,2% nos últimos dez anos: de 21,2, em 2007 para 15,7 casos por 100 mil habitantes-ano em 2016. A queda foi mais expressiva entre mulheres (48,1%) em comparação aos homens (13,9%).

No escopo da prevenção, atualmente, 9 a cada 10 mulheres têm o diagnóstico de HIV antes e/ou durante o pré-natal, e proporção similar utiliza antirretrovirais nesse período, o que contribui para evitar a transmissão vertical do vírus.

Mesmo com os avanços, é essencial evitar a banalização da epidemia. “O impacto da introdução dos antirretrovirais tem aumentado sobremaneira a qualidade de vida das pessoas vivendo com aids e trazido novos desafios, que merecem políticas públicas específicas. Destes, adolescentes e adultos jovens que adquiriram a infecção por transmissão vertical necessitam abordagem quanto à revelação diagnóstica, saúde reprodutiva e sexualidade. Aqueles que estão envelhecendo com Aids necessitam de serviços que acolham suas demandas de saúde, associadas ou não à doença. Portanto, é necessário ampliar e qualificar o trabalho em rede, articulando os equipamentos de saúde do SUS”, enfatiza Artur Kalichman, coordenador do Programa Estadual DST/Aids-SP.

No estado de São Paulo, desde 1994, a notificação do caso portador de infecção pelo HIV é recomendada nos serviços de saúde. Dez anos depois, passou a ser de notificação obrigatória no Brasil, a partir de junho de 2014.

O acesso a testagem para HIV, sífilis e hepatites virais cresceu com maior ênfase desde 2008, inclusive com a realização anual de campanhas de testagem “Fique Sabendo”. A oferta de testes rápidos em serviços fixos e com ações extramuros cresceu e, hoje, 94% das cidades aderiram à campanha, contra 58% dez anos atrás. Nesse período, foram feitos 2,3 milhões de exames.

Hoje, o Estado conta com uma vasta rede de serviços de assistência especializada em IST/aids e centros de testagem e aconselhamento, hospitais-dia e de assistência domiciliar terapêutica descentralizados, dos quais mais de 80% sob responsabilidade dos municípios.

“Ressaltamos a importância da participação das secretarias de Educação e Justiça nas ações de promoção de saúde sexual e redução da discriminação, atenção básica de saúde na assistência às IST e a realização das ações de prevenção e incentivo à testagem do HIV, além do controle da transmissão vertical do HIV”, ressalta Rosa de Alencar Souza, coordenadora adjunta do Programa Estadual DST/Aids-SP.

“São muitos os desafios para a quarta década da epidemia. É preciso continuar inovando na comunicação com as populações mais vulneráveis, em especial os jovens, ampliar o acesso ao teste rápido para HIV e sífilis, melhorar o acesso às novas tecnologias biomédicas de prevenção como a Profilaxia Pós Exposição (PEP), a Profilaxia Pré Exposição (PreP) e o tratamento como prevenção, sem perder de foco a promoção de práticas de sexo seguro. É necessário investir na qualificação da rede de cuidados e em ações de educação permanente para os profissionais,  bem como fortalecer a parceria com outros órgãos e a sociedade civil”, complementa.

Teste rápido contra a sífilis

Doença sexualmente transmissível (DST), Sífilis é causada pela bactéria Treponema e é conhecida por ser um “mal silencioso”, exigindo atenção e cuidado aos sintomas. Muitas pessoas ainda desconhecem as consequências do Sífilis. “Uns dias após o contágio, vai surgir uma ferida no pênis, na vagina, no ânus ou na boca. Muitas vezes a gente nem considera e nem imagina que possa ser uma Sífilis. Com o tempo, se ela não for tratada, pode trazer sérios problemas para a pessoa, como levar à cegueira, problemas neurológicos e outras questões”, Tânia Regina Corrêa de Souza, da Assistência e Prevenção do CRT.

Os testes são gratuitos e ficam prontos em até 20 minutos. “O teste é rápido e as formas de tratamento são injeções de penicilina benzatina, dependendo do estágio da doença. As pessoas, em qualquer situação, podem procurar o serviço mais próximo da sua residência ou até mesmo no Centro de Referência na Rua Santa Cruz, 81, e solicitar o exame de Sífilis”, afirma Tânia.

A Sífilis Congênita, que é a transmissão da bactéria de mãe para o filho, também apresenta números elevados. De 1986 a 2016, foram 28.121 casos. Como consequência, a doença pode causar má-formação do feto, além de aborto e morte do bebê. Dessa forma, é importante que o teste seja feito para detectar a sífilis durante o pré-natal e, quando o resultado é positivo, tratar imediatamente tanto a mulher quanto o parceiro.

“Cada etapa do processo na linha de cuidado da gestante, especialmente na atenção pré-natal, deve ser rigorosamente cumprida. É fundamental a ampla cobertura na oferta de testes para sífilis e retorno dos resultados em tempo hábil, tratamento adequado para gestante e parceiro sexual, orientação para prática sexual segura e planejamento reprodutivo”, afirma Maria Clara Gianna, coordenadora do Programa Estadual DST/ Aids-SP.

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