São Paulo mobiliza 645 cidades para a Semana Estadual de Combate ao Aedes

São Paulo mobiliza 645 cidades para a Semana Estadual de Combate ao Aedes

Cerca de 25 mil agentes públicos de 645 cidades estarão mobilizados na campanha “Todos juntos contra o Aedes aegypti”

Entre os dias 26 e 30 de novembro, cerca de 25 mil agentes públicos de 645 cidades estarão mobilizados na campanha “Todos juntos contra o Aedes aegypti”. Em todo o Estado, mutirões, limpezas e eliminação de criadouros visam combater o mosquito transmissor de dengue, zika e chikungunya.

Neste ano, além das atividades programadas por cada Prefeitura, a campanha estadual terá ênfase no trabalho de campo para combater a proliferação do mosquito em áreas públicas, com apoio de órgãos públicos em geral.

Ações educativas e varreduras de espaços públicos para prevenção das doenças e do controle do vetor estão previstas para imóveis públicos. Os municípios também farão a programação conforme a necessidade de cada local, incluindo medidas como distribuição de materiais informativos e educativos, rodas de conversas e oficinas.

O ‘Dia D’ de combate ao mosquito ocorre na sexta-feira, 30 de novembro, com a intensificação do trabalho de campo, com atuação de agentes públicos e sociedade civil, sobretudo em municípios e áreas com maiores índices de infestação. A proposta é  estimular e conscientizar a população quanto à importância da retirada e eliminação dos criadouros existentes nas casas.

As atividades foram coordenadas intersecretarialmente pela Sala de Comando e Controle Estadual das Arboviroses, com trabalho de campo e orientação da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias).

“Precisamos nos manter vigilantes e trabalhar em conjunto. Com a proximidade do verão e do período de chuvas, precisamos eliminar todos os potenciais focos de proliferação do Aedes para proteger a população. O Estado conta com o engajamento de todos para essa grande ação de prevenção”, afirma o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Marco Antonio Zago.

Cenário

Balanço realizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, com base nos dados informados pelos municípios paulistas por intermédio do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), mostra que o número de casos de dengue no Estado caiu 99% em dois anos: de 678.031 em 2015, para 162.497 em 2016, e 6.269 em 2017. Em 2018, até 6 de novembro, foram confirmados 9.181 casos autóctones da doença.

Com relação à chikungunya, SP registrou, neste ano, 209 casos autóctones. No ano passado inteiro foram confirmados 354 casos.

 

Quanto ao zika vírus, foram confirmados 123 casos autóctones em 2018. Em 2017, foram 121 casos.

Segundo o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti  (LIRAa) realizado entre julho e setembro, dos 611 municípios avaliados, 525 apresentam situação satisfatória, 80 estão em alerta e somente 6 em risco (Arujá, Sales, Monções, São Vicente, Guaimbe e Mombuca).

Sucen

A Superintendência de Controle de Endemias do Estado de São Paulo é responsável pelo controle das questões sanitárias que atingem de forma endêmica a população, como o controle de dengue e de febre amarela, malária, doença de chagas, leishmaniose e esquistossomose.

Os agentes da Sucen auxiliam os municípios nas ações de nebulização para matar o mosquito em fase adulta e eliminação dos criadouros de dengue nas residências. “A utilização de produtos químicos não é suficiente para o controle do mosquito. Para evitar a proliferação do Aedes aegypti, o mosquito transmissor dos vírus da dengue, zika e chikungunya, é fundamental eliminar focos e criadouros”, explica o especialista Dalton Pereira da Fonseca Jr., superintendente da Sucen.

Durante o verão, é preciso redobrar os cuidados com o mosquito. Por ser um período quente e com frequentes pancadas de chuva, a velocidade de reprodução do mosquito é ampliada. Além da dengue, existe o temor pela zika e chikungunya.

O orquidófilo Domingos Astrini tem um criadouro de orquídeas e toma muito cuidado para evitar que o mosquito se prolifere. “Procuro mantê-las num ambiente médio de umidade e hidratação, deixo as plantas em cima de telas, não utilizo pratinhos para não acumular água e tornar o ambiente um criadouro do mosquito”, explica.

Porém, o mosquito da dengue tem evolução rápida e pode sobreviver à todas as estações do ano. Uma pesquisa do Instituto Butantan, unidade ligada à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e um dos maiores centros de pesquisa biomédicas do mundo, constatou que o Aedes Aegypti possui patrimônio genético muito grande e variável mesmo no inverno, época de baixa incidência do inseto.

Por meio de armadilhas, foram coletados os ovos, pupas e larvas do animal em seis áreas distintas. O estudo utilizou o total de 150 fêmeas para o seu desenvolvimento e avaliou as variações genética e morfológica do mosquito, além de ter levado em consideração as questões demográficas de dispersão e evolutivas destes insetos em áreas urbanas.

“Percebemos que o patrimônio genético do mosquito é bem rico e dinâmico, ou seja, a espécie tem grande potencial para sofrer alterações. Isso sugere que eles são muito versáteis em explorar novos ambientes e, possivelmente, contornar as nossas tentativas de eliminá-los”, destaca Lincoln Suesdek, pesquisador do Laboratório de Parasitologia do Instituto Butantan e coordenador da pesquisa.

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