São Paulo registra aumento em doação de Leite Humano nos últimos dez anos

São Paulo registra aumento em doação de Leite Humano nos últimos dez anos

Nas vésperas de comemoração do Dia Mundial de Aleitamento Materno, em 19 de maio, a Secretaria de Estado da Saúde um dado animador. Nos últimos 10 anos, houve um aumento de 29,2% no volume de leite humano coletado em São Paulo, saltando de 40,8 mil litros em 2008 para 52,8 mil litros em 2018. O estado conta com a maior concentração de Bancos de Leite Humano, com cerca de 60 unidades.

Este crescimento é recorrente nos últimos anos. De 2016 para 2017, houve crescimento de 10,5% no número de doadoras e de 8,9% de captação de litros de leite coletados.

Apesar do aumento, as doações tendem a diminuir devido aos períodos de inverno e de férias escolares. Com o objetivo de aumentar as doações, a pasta convida as mães paulistas que estão amamentando para doarem o leite excedente às maternidades e Bancos de Leite do Estado.

A rede paulista de BLHs possui duas unidades coordenadoras, que são o Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros, responsável pelas unidades da capital e Grande São Paulo, e o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, responsável pelas unidades do interior e litoral.

“Neste inverno, contamos com a colaboração das mães em fase de amamentação e aptas para doarem leite excedente, pois, apesar do aumento nos índices de coleta e doadoras no último ano, o clima frio e as férias interferem na ida das pacientes aos bancos, o que consequentemente pode diminuir nossos estoques”, afirma a coordenadora do banco de leite da maternidade Leonor Mendes de Barros, quem é uma das principais referências estaduaisAndrea Spínola.

Toda mulher que alimenta seu filho exclusivamente com leite materno e, mesmo assim, tem sobra, pode ser uma doadora. Basta ser saudável e não fazer uso de qualquer tipo de medicamento. Amamentar é um ato de amor, e doar o leite que sobra é uma forma de compartilhar e multiplicar esse sentimento. O melhor é que essa atitude solidária pode ser mais simples do que se imagina.

“O período de internação de um prematuro é longo para que ele ganhe peso e maturidade pulmonar, e geralmente não há condições dele mamar em suas próprias mães. O Banco de Leite é essencial para essa recuperação e fortalecimento do recém-nascido”, afirma Tereza Maria Isaac Nishimoto, pediatra responsável pelo Banco de Leite do HGA.

Como funciona a doação

O principal critério para ser doadora é a mãe estar amamentando, saudável, produzindo volume excedente de leite e não utilizar nenhum medicamento que impeça a doação.

“Aqui no banco de leite do Hospital Guilherme Álvaro nós recebemos de 30 até 40 litros de leite por mês. A paciente tem que se dirigir a unidade para fazer o cadastro e retirar o kit. Após isso, a equipe retira o leite na residência da pessoa”,  relata o diretor técnico de Saúde do Hospital Guilherme Álvaro, de Santos, o professor universitário e médico infectologista Ricardo Leite Hayden.

O procedimento é simples: basta comparecer a um banco de leite, onde recebe as orientações necessárias. As interessadas devem preencher um cadastro e apresentar exames laboratoriais de sorologia realizados nos últimos seis meses. Normalmente, os bancos oferecem serviços de busca em domicílio e também disponibilizam um kit (com gorro, máscara e frascos de armazenamento) para garantir a alta qualidade do alimento doado.

“Meu filho recebeu o leite aqui do Hospital Guilherme Álvaro. Aqui é referência para todas as mães que não conseguem amamentar seus filhos, espero que o Hospital continue sempre nos ajudando”, disse Priscila Gomes Ribeiro, paciente do Hospital.

Para as mulheres, a doação de leite evita empedramento das mamas e ajuda na recuperação da forma física. Existem mais de 50 bancos de leite em todo o Estado de São Paulo. A lista completa pode ser consultada no site http://www.redeblh.fiocruz.br.

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