Saúde promove campanhas e atividades para a prevenção da hepatite

Saúde promove campanhas e atividades para a prevenção da hepatite

Mesmo com todas as ações previstas, a melhor forma de combater esta doença silenciosa ainda é a prevenção

A palavra hepatite significa “inflamação do fígado causado por vírus”. E ao contrário do que muita gente pensa, os sintomas são leves e, muitas vezes, bem difíceis de identificar – confundidos até com gripes e resfriados. A mais comum, a tipo A, é transmitida via alimentos e pessoas infectadas, por exemplo. Ela só dura alguns dias e pode ser tratada por meio de vacinas.

As mais graves são as do tipo B e C, transmitidas por sangue, secreções ou via sexual. Para a B, também já existe vacina. Mas todos os profissionais envolvidos alertam: a melhor forma de evitar a hepatite é mesmo a prevenção da doença.

“Até 49 anos de idade, todas as pessoas que procurarem um posto de saúde podem – e devem – se vacinar”, diz o Coordenador do grupo de hepatite do Instituto Emílio Ribas, Roberto Foccacia. Ele também aponta os grupos que estão mais expostos ao contágio. “Profissionais da saúde, do sexo, manicures, barbeiros também precisam ficar bastante atentos”, completa.

O médico explica que o maior perigo em relação à hepatite C é a quase total falta de sintomas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 3% da população mundial está infectada. “A doença evolui silenciosamente, as pessoas não sabem que são portadoras do vírus e, no futuro, desenvolvem inclusive outras doenças, como cirrose, insuficiência hepática e até o câncer de fígado”.

Para se prevenir, algumas medidas simples são fundamentais, como por exemplo, usar sempre preservativos nas relações sexuais, não compartilhar objetos de higiene pessoal, como escovas de dente, cuidado ao fazer piercings e tatuagens, ou mesmo com objetos cortantes nos salões de beleza – verifique se todos os instrumentos são devidamente esterilizados nestes estabelecimentos.

A enfermeira do Hospital Emílio Ribas, Andreia Schunck, afirma que a cutícula é a proteção das unhas e, ao retirá-la, pode haver sangramento. Essa pode ser a fonte de transmissão das hepatites. “O vírus da Hepatite B é 100 vezes mais infeccioso que o HIV e ele permanece sete dias no ambiente. Se o material usado para fazer a unha foi contaminado com o sangue infectado, ele permanece nos instrumentos e na superfície onde está trabalhando”, orienta.

De acordo com o infectologista Gustavo Kawanami, em fevereiro de 2002 foi criado o programa nacional de hepatites virais, voltado ao atendimento de aproximadamente 2 a 3 milhões de brasileiros portadores da hepatite C. “Nos últimos 15 anos nenhuma outra doença infecciosa passou por uma revolução tão grande em relação ao tratamento da hepatite C.  Em 2002, falávamos de taxas de controle do vírus que não excediam 55%. Em 2012, instituímos tratamentos almejando taxas de cura próximas a 70%. Hoje, já existem tratamentos mais curtos, com efeitos colaterais exponencialmente menores e chances de cura em torno de 92%”, explica.

A Secretaria de Estado da Saúde de SP organiza diversas atividades que incluem testagem e orientação a população para incentivar a prevenção, pois nos últimos anos, houve um aumento no número de notificações de casos de Hepatite C, que passou de 4,9 mil, em 2014, para 7,6 mil, no ano passado. Por outro lado, os casos de Hepatite B diminuíram 3,7%, no período, com 3 mil casos em 2016, contra 3,2 mil três anos atrás.

“Essas ações visam principalmente orientar a população acerca das hepatites virais, com o objetivo de prevenir e alertar sobre a importância do diagnóstico precoce”, afirma Sirlene Caminada, diretora do Programa Estadual de Hepatites Virais do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria.

 

 

 

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