Mudança de hábito pode evitar 63 mil mortes por câncer no Brasil

Mudança de hábito pode evitar 63 mil mortes por câncer no Brasil

Lembrado no dia 8 de abril, o Dia Mundial de Combate ao Câncer foi criado para combater a doença que, ano a ano, atinge milhares de pessoas no Brasil e no mundo. Para combater o câncer, diversas atitudes podem ser tomadas.

Segundo pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e a Harvard University, o estilo de vida não saudável causa mais de 100 mil casos e 60 mil mortes por câncer todo ano no Brasil.

Segundo o estudo, estima-se que, por ano, 114 mil casos de câncer (27% do total) e 63 mil mortes pela doença (34% do total) no Brasil poderiam ser evitados com a redução de cinco fatores de risco relacionados ao estilo de vida: tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, alimentação não saudável e falta de atividade física.

O assunto é tema de artigo publicado na revista Cancer Epidemiology em fevereiro de 2019. Segundo um dos pesquisadores e um dos autores do artigo, Leandro Fórnias Machado de Rezende, da Faculdade de Medicina, já havia um consenso na literatura científica de que o estilo de vida não saudável estaria associado ao aumento no risco de 20 tipos de câncer.

São eles: o de laringe, de pulmão, esôfago, orofaringe, cólon e reto, cavidade oral, bexiga, fígado, estômago, colo e corpo do útero, rim, vesícula biliar, mama, pâncreas, leucemia mieloide, mieloma múltiplo, tireoide, ovário e próstata.

Proporção

Os hábitos se referem a tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, falta de atividade física e alimentação não saudável, baixo consumo de frutas, verduras, fibras e cálcio e consumo de carne vermelha e processada.

“A novidade da pesquisa foi estimar a proporção de casos e de mortes por câncer que poderiam ser potencialmente evitados pela eliminação ou redução dos fatores de risco no estilo de vida dos brasileiros”, afirma Rezende.

Segundo dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), esses tipos de câncer correspondem a aproximadamente 80% de todos os casos de câncer (excluindo o câncer de pele não melanoma), diagnosticados no Brasil.

Nesse contexto, a pesquisa foi baseada em dados da distribuição (prevalência) dos fatores de risco relacionados ao estilo de vida de duas pesquisas representativas da população brasileira: a Pesquisa de Orçamentos Familiares (2008/2009) e a Pesquisa Nacional de Saúde (2013).

Foram utilizadas, ainda, estimativas de casos e mortes por câncer publicadas pela IARC e o risco relativo desses tipos de câncer associados a cada um dos fatores de risco.

Fatores

A partir da análise dessas informações, foi constatada que a redução dos fatores de risco relacionados ao estilo de vida poderia prevenir até 114 mil casos (27% do total) e 63 mil mortes (34% do total) por câncer por ano no Brasil. No caso da incidência de câncer de pulmão, de laringe, orofaringe, esôfago e cólon e reto, seria reduzida pela metade. Já a mortalidade de 13 dos 20 tipos de câncer analisados se reduziria em 20%.

A eliminação ou redução do tabagismo (67 mil casos e 40 mil mortes), seguido da de excesso de peso (21 mil casos e 13 mil mortes) e do consumo de álcool (16 mil casos e 9 mil mortes) teria maior impacto na prevenção de casos e mortes por câncer no Brasil.

Uma discussão que poderia ser feita a partir da divulgação desses dados seria sobre a eficácia das “políticas públicas brasileiras que ainda estão voltadas à realização de exames para detecção precoce do câncer, como é o caso da mamografia, para o câncer de mama nas mulheres, e o antígeno prostático específico (PSA), para o câncer de próstata nos homens. As novas descobertas sugerem que as políticas devem ser focadas na mudança de estilo de vida das pessoas”, conclui.

Prevenção

Há determinados jeitos de fazer a prevenção de cada tipo de câncer, mas há um consenso na área médica: todos os cânceres listados poderiam ser reduzidos com medidas preventivas ou mudança de hábitos ou exames periódicos mais frequentes. As atitudes a serem tomadas são: uma dieta variada e saudável com muita fruta, verduras, legumes e muita fibra; pouco ou nenhum álcool; zero tabaco; e a manutenção do peso por meio de atividade física regular.

“Mais do que buscar uma ‘dieta milagrosa’, que não existe, buscamos ressaltar sempre que uma alimentação equilibrada, com exceções esporádicas, e rica em alimentos naturais, é o que faz a diferença ao longo do tempo”, destaca o nutricionista Vitor Rosa, gerente de Nutrição e Dietética do Icesp, sobre a importância de se alimentar bem.

 

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