SP terá ‘calendário da prevenção e inclusão’ na semana 23ª Parada do Orgulho LGBT

SP terá ‘calendário da prevenção e inclusão’ na semana 23ª Parada do Orgulho LGBT

A Secretaria de Estado da Saúde montou um calendário especial na semana da 23ª Parada do Orgulho LGBT, com o objetivo de reforçar as atividades de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e amplificar a inclusão de gays, trans e travestis no SUS. A iniciativa é do Programa Estadual de DST/Aids.

Nos dias 17 e 18 de junho, no início da semana da Parada, serão realizados 1500 testes rápidos e distribuídos 1500 autotestes de aids, 28 mil preservativos e 15 mil saches de gel lubrificante. A atividade ocorre no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP), entre 11h e 20h30.

Pela primeira vez na história da Parada haverá a distribuição de autotestes de HIV, uma nova alternativa de diagnóstico precoce da aids, que funciona de modo similar aos testes rápidos, com o diferencial de poder ser feito pela própria pessoa.

A ação é promovida pelo CRT DST/Aids (Centro de Referência e Treinamento), em parceria com a Aids Healthcare Foundation (AHF), e mobilizará 100 profissionais de diversas áreas como enfermagem, psicologia, serviço social e laboratório.

Serão ofertados 1.500 testes rápidos por fluído oral e 1.500 autotestes serão distribuídos pela AHF. Trata-se de um insumo simples de usar, que funciona de modo similar aos testes rápidos, com o diferencial de poder ser feito pela própria pessoa.

“O teste rápido detecta anticorpos no fluído oral e o resultado é obtido em 30 minutos. É simples, rápido e indolor, realizado com privacidade e sigilo”, explica o coordenador do Programa Estadual DST/AIDS-SP, Artur Kalichman.

Já os autotestes são feitos pela própria pessoa e são simples de usar. “É possível fazer casa ou em qualquer lugar, no momento que preferir, sozinho ou com alguém em quem confia”, declara a coordenadora das ações de testagem Fique Sabendo do Programa Estadual DST/Aids-SP, Márcia Santos. Os testes são confiáveis, mas não têm caráter diagnóstico. Portanto, se o  resultado for positivo, é fundamental procurar um serviço de saúde para confirmação com testes complementares.

Os testes de HIV estão disponíveis no SUS paulista durante o ano todo. A consulta aos serviços pode ser feita pelo Disque DST/AIDS – 0800 16 25 50 ou no site WWW.crt.saude.sp.gov.br.

10 anos do Ambulatório Trans

O Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP celebra no dia 19 de junho, das 8 às 13h, o 10º aniversário de seu Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais.

Na ocasião, será abordada a trajetória desse serviço, suas demandas, perspectivas e papel na inclusão de travestis e transexuais no SUS. Participarão ainda deste evento, instituições parceiras fundamentais para o sucesso do ambulatório. Para participar, é preciso fazer inscrições, até a data do evento, neste link: http://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=47360.

O encontro será realizado no Centro Formador de Pessoal para Saúde (CEFOR), localizado na Rua dona Inácia Uchoa, 574, Vila Mariana, zona Sul da capital.

Feira Cultural LGBT

No dia 20 de junho, Programa Estadual DST/Aids-SP participará da 19ª edição da feira, que acontece na Praça da República, das 10 às 22h. Serão distribuídos 1 mil autotestes, 14 mil preservativos masculinos, 1 mil preservativos femininos e 12 mil sachês de gel lubrificante. As equipes estarão no local das 10h às 17h.

Estatísticas

Os dados do Programa Estadual de DST/Aids demonstram aumento importante no número de casos de aids entre Homens que Fazem Sexo com Homens (HSH). Desde 1980, foram confirmados 183.141 casos de aids em homens com 13 anos ou mais; destes, 53.126 referem-se à categoria HSH.

Esse segmento é o único que têm aumentado sua participação proporcional e absoluta no total de casos. Em 2007, esta população correspondia a 31,3% dos casos entre homens com 13 anos. Em 2017, essa porcentagem subiu para 50,3%. No mesmo período, o número de casos na faixa de 20 a 24 anos subiu de 17 para 32 infectados a cada 100 mil homens. Nas demais idades, esse número vem diminuindo ou se estabilizando.

Estes dados apontam a grande vulnerabilidade de adolescentes e jovens gays (homens que fazem sexo com homens) para a infecção pelo HIV.

“É importante ampliar as estratégias de prevenção para que os jovens homossexuais adotem práticas sexuais mais seguras. O exercício da cidadania e a luta contra o preconceito e a discriminação são duas questões básicas que devem ser vinculadas ao trabalho de educação em saúde sexual e prevenção das IST/HIV/Aids”, avalia a coordenadora adjunta do Programa Estadual DST/Aids-SP, Rosa Alencar Souza. Ela enfatiza ainda a importância do diagnóstico precoce e convida a população a participar dos eventos relativos à semana da Parada LGBT e realizar os testes.

Para Beto de Jesus, diretor da AHF Brasil, a parceria entre a ONG internacional, presente em 43 países, e órgãos governamentais de renome, como o CRT DST/Aids-SP, fortalecem a estratégia de valorizar o SUS e ampliam as ações transversais de testagem do HIV. “Precisamos romper o estigma e o receio das pessoas em fazer o teste e descobrir se têm HIV. Por isso, testagem na rua, junto das pessoas, em um evento da magnitude da Parada LGBT, que reúne todos os públicos mais vulneráveis, é uma oportunidade de promover o autocuidado”, declara. “Esta é a chave para o diagnóstico precoce, que propicia o início imediato do tratamento e, em longo, a qualidade de vida para as pessoas que vivem com vírus”, complementa.

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