Universidade Estadual de Campinas cria programa de atenção ao autismo

Universidade Estadual de Campinas cria programa de atenção ao autismo

Neste mês, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apresentou o novo Programa de Atenção em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). A iniciativa busca ampliar a rede de cuidado e possibilitar o diagnóstico precoce por meio da capacitação de profissionais da atenção básica de saúde, pediatras e educadores.

O programa será instalado em uma área de 350 m2 situada ao lado do Hospital de Clínicas de Campinas. A unidade será administrada pela Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp.

“A ideia do programa não é ser um centro de tratamento, mas de avaliação de crianças e adolescentes e de capacitação para profissionais, de modo que esses jovens possam ser tratados nos seus municípios, próximos de casa”, afirma Renata Cruz Soares de Azevedo, chefe do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da FCM.

Vale destacar que o TEA é considerado um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits marcantes na comunicação e na interação social e por padrões restritos ou repetitivos de comportamento. Estima-se que o transtorno afete 70 milhões de crianças no mundo.

Capacitação

No Brasil, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) estima que uma em cada 160 crianças tenha TEA. Um dos objetivos do programa será capacitar os agentes dos municípios tanto para identificar possíveis casos quanto para prestar os cuidados necessários.

“Diagnosticar não é patologizar. No autismo, os principais sintomas não são acessados através do uso de medicação. São as intervenções psicológicas, comportamentais e educacionais que podem ajudar a criança. Intervenções precoces têm uma resposta muito melhor, pois o cérebro está em grande desenvolvimento e tem maior plasticidade. Quanto mais velho o indivíduo, mais difíceis são essas mudanças”, explica Eloísa Celeri, coordenadora do Setor de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM).

Os organizadores pretendem que, com a capacitação dos pediatras e demais profissionais da atenção básica de saúde, o preenchimento do cartão da criança do SUS forneça as informações necessárias para o encaminhamento do paciente a uma avaliação médica mais detalhada.

A capacitação dos municípios pretende, ao mesmo tempo, reduzir o fluxo para o Hospital de Clínicas da Unicamp e evitar o deslocamento das famílias que viajam de outros municípios em busca de atendimento.

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